Nerves, nerves. Hoje até me levantei mais cedo para chegar ao escritório a horas certinhas. Tudo corria bem. Ia sair 20 minutos mais cedo que o habitual. Bom, muito bom. Até que a minha amiga A. me diz "olha que hoje há greve do metro!". Tudo descamba e soou na minha rica cabeça: "Raios-me-partam-aqueles-filhos-da-mãe-fazem-greves-todas-as-semanas!". Vá lá, mas não vamos deixar que isto nos estrague o dia, certo? Coitados, têm direito à greve. Coitados, têm uma redução no salário. Coitados, só eles é que estão mal. Os utentes do metro que se lixem. Adiante, que isso são outros quinhentos. Quando começo a descer a rua pensei "ah, e tal, trouxe estes sapatos tão altos para andar com esta chuva, ainda me espalho ao comprido e o pior vai ser se não conseguir apanhar nenhum autocarro e ter que ir daqui, até ao Saldanha, a pé!". Nada que não se resolvesse. Não ia agora voltar para trás. Começo a chegar ao pé da rotunda de Entrecampos, uma chuva terrível, molhou-me dos pés à cabeça. Meus ricos botins todos molhados. A sombrinha dava piruetas no ar com o vento e eu toda desgrenhada ali andava. Uma tempestade! Quando a chuva abranda continuo a minha viagem. Ainda me molho mais uns 10 minutos na paragem. Quando entro no autocarro... vejo da janela um sol radioso. E a chuva parou. Raios me partam que eu tenho mesmo azar! Começo a ficar farta deste tempo, de transportes e disto tudo!
Nerves, muitos
nerves.
C.